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Adoro chorinho.

Mas, nem sempre foi assim.

Por mais difícil que seja de imaginar, nem sempre gostei.

Hoje, quando penso em Chorinho, inevitavelmente, penso em meu pai e numa fase da minha vida em particular.

***

Estudava no Colégio Antônio Vieira, no turno matutino. As aulas iniciavam às 7h20 – o que para mim, um notívago de nascença, era uma tortura.

Duas vezes por semana, porém, a coisa piorava: tínhamos aula de Educação Física, que começava – pasmem! – às 6h30 da madrugada. (Isso só podia ser idéia de algum maluco padre alemão ou austríaco).

A sofrida tarefa de nos levar (a mim e ao meu irmão) para a escola mais cedo, nestes dias, cabia a meu pai – ele, também, de irremediável natureza vespertina (acho que é coisa dos Azevedo).

Morávamos longe do colégio. Saíamos de casa, portanto, pelo menos uns 30 minutos antes do horário da aula.

Nesta viagem, porém, meu pai experimentava algum prazer e mesmo vantagem em ter acordado cedo: ouvia ao seu programa favorito da Rádio Educadora FM, chamado “Chorinhos e Chorões” – programação de todos os dias da emissora no horário das 6h00 às 7h00 (horário em que ele de jeito nenhum estaria acordado não fora as famigeradas aulas de Educação Física). Nem sei se o programa ainda existe...

No princípio, eu e meu irmão achávamos aquela música chatississíssima, mas admirávamos, sonolentos, ao deleite auditivo de nosso pai.

Não sei exatamente em que momento a coisa começou a mudar, o fato é que hoje adoro chorinho.

E o que é mais interessante, consegui transformar estas memórias de madrugadas tão sofridas em algo agradável, positivo. Me lembro daqueles dias com muito prazer! Coisa interessante a forma como trabalha a nossa memória.

Escrevo isso tudo só para falar do prazer que foi fotografar o show e curtir o som da banda “Brincando de Cordas”, no Segundas Musicais da Fundação Cultural.

Mas comecemos pelo começo: o preconceito.

Achei que o grupo que tocaria choro, conforme a programação das Segundas Musicais, seria um grupo da “velha guarda”: velhos músicos saudosistas – talvez um ou outro músico mais jovem, um ou outro discípulo de algum dos decanos do grupo.

Estava errado.

Acho, inclusive, que o nome do grupo é uma referência à idade dos seus componentes. São bem jovens – com uma única exceção, num grupo de seis (5 músicos e um apresentador/mestre de cerimônia), todos parecem ter menos de 25 anos de idade, alguns menos de 20.

A despeito da juventude do grupo, o show foi um passeio na história do gênero musical que pode ser considerado o marco inicial da nossa MPB.

Os números musicais são intercalados com a aparição do mestre de cerimônias, que discorre sobre a História do Choro, seus principais músicos/compositores e as músicas apresentadas durante o espetáculo.

Uma das novidades apresentadas pelo grupo é o que eles chamam de choro cantado. Eles adicionaram letras à vários clássicos do choro, e apresentam a jovem cantora Ananda Andrade.

Outro aspecto interessante do show é o visual dos músicos. Olhando as fotos, marcadamente as fotos preto & branco, parece que se trata de outro tempo. Parece que eles saltaram da máquina do tempo no ponto errado.


Muito legal!

Surgida em 1996 – na terra do cacau e das estórias de Jorge Amado, Ilhéus – O Quadro é uma das mais antigas bandas de Hip Hop da Bahia.

Não gosto de Hip Hop, Rap, ou variações destes estilos – deve haver um tanto de preconceito nesta minha percepção do estilo.

Não quero comparar maçãs com laranjas, mas, com O Quadro, senti algo parecido com o que senti quando ouvi DJ Dolores pela primeira vez. Achava que odiava tudo que vinha de DJs. Achava que era tudo igual. Mas, não é!

Não posso dizer que gostei d`O Quadro tanto quanto gostei de DJ Dolores, mas foi uma grata surpresa para mim a qualidade do som dos caras.

A banda é musicalmente rica e as letras das suas músicas não são óbvias como em geral me parece acontecer neste estilo.

Outro fator que me surpreendeu foi o modo com que os músicos da banda se apresentavam. Todos elegantemente vestidos e postados. Não era o caso dos vocalistas, porém. Estes estavam vestidos e se portavam (com direito a trejeitos e atitude característicos) mais como se imagina um grupo de hip hop brasileiro...

Batatinha foi um dos grandes sambistas da Bahia. Fazia samba de verdade.
O Grupo Botequim é, literalmente, um grande grupo de sambistas.
Seus integrantes compõem e pesquisam samba tendo sempre em vista a sua tradição.

Nos últimos anos eles vêm pesquisando o trabalho de Oscar da Penha, mais conhecido por Batatinha.
O show que fotografei apresenta justamente esta pesquisa e faz uma homenagem ao mestre.
Samba para quem gosta de samba.

Com direito a caixa de fósforo...

... e prato.

O show contou com diversas participações especiais de tradicionais sambistas baianos e dos filhos do próprio Batatinha.

Nesta segunda, aconteceu outro show do projeto Segundas Musicais, da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Desta vez rolou jazz. Jazz de alta qualidade: Mou Brasil.
Mou é fantástico e se fez acompanhar de músicos maravilhosos.
Rowney Scott (sax)
Vitor Brasil (bateria)
Ldson Galter (baixo acústico)
Marcelo Gauter (teclado)



Mas nem só de Salomé se faz uma semana de trabalho.

Na segunda, além do espetáculo teatral, fotografei o show da banda baiana Retrofoguetes – no projeto Segundas Musicais, da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Os shows acontecerão sempre na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e estou convocado para fotografar a todos.

O show foi muito legal – adoro os Retrofoguetes. O ambiente de teatro, com todo mundo sentadinho, é que foi a grande diferença. Acostumados a tocar em ambientes de festa rock, foi divertido vê-los tocar para um público estático.
Estático é exagero. As pessoas, é verdade, mantiveram-se sentadas durante todo o show, mas parado ninguém ficou com o rock instrumental mais divertido de que eu tenho notícia.


Outra diferença foi a sensação de proximidade com a banda que a Sala do Coro permitiu. Isso gerou uma maior interação da banda com o seu público – com direito a piadinhas de ambos os lados e demonstrações de afeto, também, mútuas.O show contou com participações especiais, como a de Haroldo Macedo, empunhando a sua guitarrinha baiana.
O secretário de cultura do estado, Márcio Meirelles, também pareceu adorar o show.