“A aventura causa ansiedade,
mas deixar de arriscar é perder a si mesmo…
Se aventurar, no sentido mais elevado,
é precisamente tomar consciência de si próprio.”
Kierkegaard
Pati é uma mulher fugidia.
Quando volta a aparecer, pode ter estado noutro continente por meses, ou ali, bem perto do seu nariz, sem que você a notasse.
O mais grave disto, porém, é que quando ela está ali, na sua frente, você não se dá conta de que este é um momento fugaz, que definitivamente vai acabar; que, muito em breve, mais breve do que você imagina, ela desaparecerá numa névoa de circunstâncias nebulosas – e sabe-se lá quando reaparecerá.
Quando se está com Pati, parece que ali ela sempre esteve e sempre estará. Parece a coisa mais certa do mundo. Mas esta sensação não poderia ser mais enganosa. Ela, certamente, irá desaparecer.E sempre que ela desaparece, para sempre parece ser. Ela nunca mais voltará.
Mas como eu dizia: sempre a quis fotografar.
Sua timidez desapareceu. Após poucos cliques, ela já estava totalmente relaxada e parecia que nunca mais desapareceria dali.Fizemos duas sessões de fotos, em duas quintas-feiras consecutivas. Prometemos-nos mais outras tantas sessões...
Mas, inesperadamente, como já deveria estar esperando... desapareceu. Desapareceu cercada de brumas, névoas, neblina...
Ao menos, ficaram as fotos...

Volta Pati!
PS: Post influenciado pela fantástica série do início dos anos 90 Twin Peaks (dirigida e produzida pelo diretor americano David Lynch).