Eu gosto de Guy Ritchie (“Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, “Snatch”). Digo mais, acho bastante provável que, se você não é um fã purista de Sir Arthur Conan Doyle, você deve ter gostado do filme Sherlock Holmes. Eu gostei. Falo de entretenimento, é claro – afinal essa é a proposta de Hollywood (além de lucro, é claro!). Uma obra deve ser avaliada a partir do seu objetivo. - x - Acho engraçado, mas, em certos meios pseudo-intelectuais por aqui, é quase proibido gostar de cinema de entretenimento (principalmente de Hollywood). Eu me lembro que quanto eu voltei dos USA (onde fiz, entre outros, um curso de crítica de cinema), um conhecido me convidou para escrever numa revista de cinema que ele estava criando. Era uma revista de crítica de cinema (que nunca saiu do papel, ou melhor, nunca chegou ao papel). Ele timidamente, temendo me ofender, me convidou para escrever na revista, desde que eu estivesse disposto a escrever sobre cinema comercial. O motivo: nenhum dos outros colaboradores queria se dignar a escrever sobre Hollywood. Aceitei feliz. Pena que nunca chegou a acontecer...
Rendezvous in Paris, 1978
Diretor: Claude Lelouch
Para quem gosta de velocidade, de cinema e/ou de Paris (acho que todo mundo gosta de pelo menos uma destas três coisas): Redezvous in Paris, um curta metragem de Claude Lelouch. Na verdade, uma grande estripulia de um piloto não identificado e do diretor francês – que acabou preso (e logo liberado) por causa do filme.
Saiu no blog de Fábio Seixas.
Vale a pena ver.
O autor do blog cita:
"Em agosto de 1978, o cineasta francês Claude Lelouch montou uma câmera giroscopicamente estabilizada na frente de uma Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto de F-1, para fazer um trajeto no coração de Paris à maior velocidade que ele pudesse.
O filme só dava para 10 minutos, e o trajeto era de Porte Dauphine, passando pelo Louvre até a basílica de Sacre Coeur. Como Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no trajeto, a filmagem aconteceu logo que o dia clareou. O piloto completou o circuito em 8min40s, chegando a 324 km/h em certos momentos.
Quando exibiu o filme pela primeira vez, Lelouch foi preso. Ele nunca revelou o piloto, e o filme foi proibido, passando a circular só no underground."
O filme é alucinante!
Em vários momentos o suposto F1 é obrigado a frear bruscamente, ou desviar de carros e pedestres. As vezes chega a ter que mudar de rota para evitar acidentes.
É simplesmente incrível o que eles fizeram.
Uma irresponsabilidade que hoje não seria tolerada. Pedestres não são respeitados, sinais vermelhos são ignorados, vias de mão-única e de contramão são usadas e faixas centrais são cortadas.
No fundo, ficou barato, apenas a prisão do cineasta. Hoje, certamente, as punições seriam mais severas. E, provavelmente, haveria uma investigação sobre quem foi o piloto e outros eventuais envolvidos, que acabariam punidos também.
Click aqui para ver o vídeo no youtube.
Para quem gosta de Paris, a rota utilizada no filme foi a seguinte (em ordem):
Boulevard Périphérique - Avenue Foch - Place Charles-de-Gaulle - Avenue des Champs-Élysées - Place de la Concorde - Quai des Tulieres - Arc de Triomphe du Carrousel - Rue de Rohan - Avenue de l'Opéra - Place de l'Opéra - Fromental Halévy - Rue de la Chausée d'Antin - Place d'Estienne d'Orves - Rue Blanche - Rue Pigalle - Place Pigalle - Boulevard de Clichy (rua usada após abortar a rota pela Rue Lepic) - Rue Caulaincourt - Avenue Junot - Place Marcel Aymé - Rue Norvins - Place du Tertre - Rue Ste-Eleuthère - Rue Azais - Place du Parvis du Sacré Cœur
De acordo com a Wikipédia, no entanto, a despeito da história apresentada no Blog de Fabio Seixas, o filme não foi gravado com um carro de Formula 1, mas sim com o Mercedes-Benz 6.9L do cineasta (com o som da Ferrari adicionado na edição), e que a máxima velocidade atingida pelo veículo teria sido de algo em torno de 140 Km/h – o diretor afirma que se atingiu 200 Km/h.
De qualquer forma, trata-se de um material imperdível!
Não deixe de assistir!
When We Were Kings (1996)
Diretor: Leon Gast
Mesmo quem não gosta de boxe deve assistir ao documentário sobre a luta entre George Foreman e Muhammad Ali, no Zaire. A luta é considerada uma das mais importantes da história do boxe – já gerou livros (inclusive The Fight de Norman Mailer), músicas, filmes, especiais de TV.
When we were kings constrói um belo retrato do imaginário cultural do ano de 1974; mostra uma das mais marcantes personalidades da cena americana da segunda metade do século passado (Ali); e apresenta os melhores momentos da luta (para quem não gosta de boxe: a luta propriamente dita ocupa apenas uma pequena porção do filme).
O filme se detém mais em estabelecer a conjuntura histórica em que a luta se deu e em mostrar os preparativos da produção e dos lutadores para a luta no país africano.
Outro destaque do filme é a sua atenção com a música. Parte da promoção da luta envolveu shows com ninguém menos que BB King, Fania All Stars e James Brown. Trechos preciosos destas apresentações musicais, bem como entrevistas com os músicos e a interação entre eles e os lutadores são apresentados ao longo do filme.
